O painel “O presente das loterias no Brasil: fragmentação, competência e o desafio da harmonização” foi um dos destaques do CGS Recife 2025, realizado na última sexta-feira (22). A mesa reuniu Camilo Brito (presidente da Analome), Ricardo Amado Costa (presidente da Febralot) e contou com a moderação de Roberto Quattrini (consultor da Novomatic).
Camilo Brito destacou a evolução do mercado de loterias locais e apresentou números atualizados sobre a expansão dos municípios.
“Hoje a gente, pela associação, já tem algo em torno de 200 municípios de loterias municipais inscritos. Tem mais de 60 municípios que já fizeram o processo. O número é próximo de 260 de municípios regulamentados”, afirmou.
Questionado pelo mediador Roberto Quattrini sobre a quantidade de loterias municipais já em operação, Camilo explicou os diferentes modelos adotados.
“Os municípios, via de regra, escolhem uma concessão ou credenciamento. Em concessão deve ter hoje rodando no Brasil algo em torno de 10, 12 loterias municipais, e credenciamento em torno de 35 municípios já com o credenciamento ativo e operando. Então, mais de 40 loterias já em funcionamento”, disse.
O presidente da Analome também destacou os retornos concretos que essas operações começam a gerar para a sociedade.
“Quanto a município que chegou em um único mês, 13 milhões de reais de boleto, de pagamento de outorga variável, que são um número bem específico. Não são muitos municípios que estão com alta arrecadação, vários ainda, até porque é muito recente, a realidade dos últimos 40 dias que veio uma enxurrada grande de municípios, então ainda não está com uma arrecadação muito alta. Mas a gente já tem hoje um município fazendo a ampliação de uma UBS (Unidade Básica de Saúde), um município que acabou de fazer a licitação para a construção de uma quadra poliesportiva. Já tem três municípios que estamos acompanhando pavimentação de rua”, relatou.
Entre os exemplos práticos, Camilo ressaltou um investimento relevante na área da saúde.
“Entre os benefícios que eu identifiquei tem um município que já está instalando uma máquina de Raio-X com a ampliação da UBS”, destacou.
Ele também chamou a atenção para usos que precisam de maior acompanhamento.
“Nós já identificamos especificamente um município com uma utilização que nós achamos que não deveria ter acontecido, para uma festa de carnaval fora de época, mas nós estamos vigilantes”, disse.
Camilo Brito reforçou ainda como as loterias locais podem coexistir de maneira harmônica com outras modalidades de jogo no país.
“Uma das coisas que pode ser uma solução, inclusive para os lotéricos, é que todo agente lotérico tenha uma licença municipal no município onde ele está instalado e instale, por exemplo, VLT dentro do município, e comece a operar os produtos que a Caixa não tem. Então, além dos produtos da Caixa, ainda há produtos que ele vai explorar. Além do lotérico-permissionário da Caixa, ele vai ser, de fato, um explorador do loterismo”, concluiu.
Ele também lmebrou o posicionamento do secretário de Prêmio e Apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, que no dia anterior afirmou não ver inconstitucionalidade na exploração de loterias locais.
“O próprio secretário de prêmio e apostas não vê inconstitucionalidade na exploração de loterias, apenas que o legislador não queria que as cidades explorassem a atividade”, disse.
Em sua intervenção, Ricardo Amado Costa (presidente da Febralot) defendeu a inserção da rede lotérica no novo mercado de jogos regulados.
“A Febralot não tem zero de dúvida sobre isso. A origem da rede lotérica é o jogo. O futuro da rede lotérica depende de como que a rede lotérica vai estar inserido nesse novo mercado de jogo, o que é uma realidade do nosso país. Então, nós dedicamos todo o nosso tempo possível para que isso aconteça com a Caixa. Então, a pauta prioritária é nossa. Se o jogo é legal, regulado, não tem porque estar fora da rede lotérica. Isso é uma questão de sobrevivência comercial. Essa posição está bem clara com a caixa e o empresário lotérico não abre mão disso. É uma necessidade” pontuou.