O segundo dia do III Congresso Nacional de Loterias Municipais do Brasil, realizado nesta quinta-feira (14) no Hotel Holiday Inn, em São Paulo, reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor para debater o impacto da desaceleração do mercado de apostas no país, planejamento e operação de loterias municipais, utilização de Video Lottery Terminals (VLTs) e consórcios intermunicipais. A programação contou com cinco painéis que analisaram os desafios econômicos, institucionais e tecnológicos do setor.

Associações

O painel “Associações e institutos em cooperação para a construção de uma indústria sustentável”, realizado às 10h no Congresso Nacional de Loterias Municipais, reuniu representantes de entidades e empresas que atuam na regulamentação e fortalecimento do setor. Mediado por Paulo Costa, editor do Portal MediaBet Brasil, o debate contou com a participação de Camilo Roma de Brito, presidente da ANALOME, Ana Bárbara Costa Teixeira, diretora da Abrajogo, a advogada Lucineia Souzza, e Filipe Alves Rodrigues, presidente da Associação Brasileira do Jogo Positivo. Os convidados discutiram a importância da cooperação entre associações e institutos para garantir boas práticas, promover a responsabilidade social e criar bases sólidas para um mercado de apostas mais transparente e sustentável no Brasil.

Desaceleração do mercado de jogos e impactos no futebol brasileiro

Pela manhã, o painel abordou como a redução do crescimento da indústria de jogos e apostas pode afetar diretamente o futebol nacional. Participaram Mariana Chamelette, vice-presidente do TJDFP; Talita Garcez, sócia do Garcez Associados; e Ana Diedrich, advogada.

Talita Garcez destacou que o PL 2985/23, que limita a publicidade de apostas esportivas, representa risco para os contratos de patrocínio vigentes.

“Entre a Série A e a Série C, 68% dos patrocínios vêm das casas de apostas, e essa receita é usada para despesas básicas, manutenção de estádios, categorias de base e até o futebol feminino. Se houver limitação severa dessa publicidade, não vejo outro segmento capaz de suprir esses valores”, afirmou.

Mariana Chamelette reforçou a tradição histórica das apostas no esporte e comparou a situação brasileira com a inglesa, alertando sobre os efeitos da restrição de publicidade. Ana Diedrich completou destacando que restrições severas podem reduzir investimentos e estimular o mercado não regulado.

Planejamento e operação de loterias municipais

No painel da tarde, especialistas discutiram “Principais etapas no planejamento de uma loteria municipal”. Hiago Piau, vice-presidente da ANALOME; Diego Campos, diretor de Inovação da Prefeitura de Osasco; e Fabrício Carvalho, gerente de Projetos na São Paulo Parcerias, enfatizaram a importância de construir uma base sólida antes de iniciar a arrecadação.

“Cada artigo da lei e do decreto precisa ser pensado não só juridicamente, mas também tecnicamente e estrategicamente, para que o operador tenha sucesso”, explicou Hiago Piau.

Os participantes destacaram a necessidade de modelos escaláveis, transparentes e sustentáveis, lembrando que o sucesso de uma operação municipal depende de planejamento detalhado, definição de modalidades, fluxo financeiro e estrutura técnica adequada.

Uso de VLTs para geração de receita e dinamização econômica

O painel “O uso de VLTs e a geração de receita e dinamização econômica local” discutiu oportunidades e desafios na implantação de Video Lottery Terminals. Participaram Ana Bárbara (Ocean 88 Holdings), Gabriela Novello (Chips Entertainment), Tiago Luz Pinto (Jogo Global), Fabiano Braga (Weebet) e João Motta (advogado).

Os especialistas abordaram o potencial dos VLTs para impulsionar a arrecadação municipal, gerar empregos, fomentar o turismo e fortalecer a economia local, mas também ressaltaram a necessidade de regulamentação, tecnologia auditável e modelos híbridos para atrair jogadores do mercado ilegal.

“Se não começar com o híbrido, não se combate o clandestino. O físico gera receita, empregos e turismo local, enquanto introduz o usuário no ambiente regulado”, afirmou Fabiano Braga.

O painel enfatizou a importância do KYC, segurança física, padronização de procedimentos e monitoramento tecnológico para garantir a credibilidade da operação.

Consórcios intermunicipais fortalecem loterias regionais

Às 16h, o tema “Consórcios intermunicipais para o planejamento, articulação e definição de ações de caráter regional” foi debatido por Saint Clair Neto, Ana Gatti e Daniela Miranda. O formato de consórcio foi apresentado como estratégia para superar limitações técnicas, estruturais e financeiras de municípios menores, permitindo compartilhamento de recursos, expertise e padronização de processos.

“Um município pequeno pode ter a oportunidade de criar uma loteria, mas nem sempre possui recursos e expertise. O consórcio permite dividir infraestrutura e conhecimento com cidades maiores, criando uma loteria regional”, explicou Ana Gatti.

O debate também abordou entraves legais e a necessidade de flexibilização para garantir autonomia dos municípios participantes.

Painel de encerramento: evolução regulatória, comercial e tecnológica

Fechando a programação, o painel “Evolução regulatória, comercial e tecnológica das loterias municipais” reuniu Paulo Horn (OAB/RJ), João Victor Wallach (BetPilot) e Marco Taurisano (Kroopiê Consultoria). Foram discutidos avanços regulatórios, crescimento do mercado, novas tecnologias e tendências de personalização da experiência do jogador.

Horn destacou desafios históricos na comercialização de jogos físicos e a importância do PIX para facilitar pagamentos. Wallach apresentou soluções tecnológicas que permitem personalização e análise de dados para otimizar operações. Taurisano reforçou que, apesar da digitalização, o físico continua essencial, e que criatividade é pilar central para o crescimento e engajamento nas loterias municipais.

“O grande diferencial para o setor de loterias é a criatividade. Um exemplo é o Keno, uma loteria de prognóstico numérico, com sorteios a cada quatro minutos, divertido e seguro para o jogador”, disse Taurisano.